Quando conheci Deus? Poder-se-á dizer que se conhece Deus?
Quanto a mim, sim e não. Mesmo que eu tenha uma ligação forte e íntima com Deus, nunca, jamais O conseguirei atingir. Ele é O Inalcansável, O sempre mais além, O Outro sempre diferente do que possamos imaginar.
Deus não se conhece...Deus vive-Se, assume-Se...e, de joelhos.
João c.6 - «Como podeis dizer que amais a Deus que não conheceis e não amais o irmão que não conheceis? Hipócritas, não se pode amar o que não se vê. »
Então como eu conheço e amo Deus? Não sou teóloga e não conheço Deus, nem sequer tento imaginá-Lo porque Ele está para lá de todas as mentes.
Conheço os seus preceitos e amo-os. Lavro-os na rocha firme para serem transmitidos de geração em geração. Estilos de vida que encantam e ninguém consegue seguir de tão perfeitos.
Mas, nem sempre pensei assim. A partir da primeira catequese com seis anos de idade, ensinaram-me "teorias" que tinha que decorar e mostraram-me um Deus distante e castigador.
Meus pais, católicos praticantes - numa prática assídua e respeitadora, me educaram nesse ambiente de grande religiosidade e desde pequenina vivia à minha maneira e na minha dimensão o meu Deus.
Deus era para mim uma presença constante; no entanto era muito problemática e tive uma infância pouco feliz. Mergulhada no materialismo e na abundância desmedida, me tornei rebelde, autoritária, insatisfeita, vaidosa e exigente.
Havia revolta no que fazia e dizia. Por vezes parava. Por medo? Também. Como Deus estava sempre presente, me via e o Seu castigo seria eminente; se não era o de Deus, seria com certeza o de minha mãe. Mas, sobretudo parava, porque no meio destas facetas maquiavélicas, havia em mim sentimentos de ternura, docilidade, de bondade e o amor tentava sorrir. Neste sorriso estava Deus! Eu não só temia Deus, mas, acima de tudo eu amava Deus. Sentia-me bem na Igreja e se havia algum lugar onde me portava dignamente, era aí. Não havia pessoa que não comentasse o meu porte irrepreensível na casa do Senhor. Silenciosa, compenetrada em completa quietude.
Queria ser santa; santa de altar, claro, a minha vaidade, já clarividente, puxava a isso. Procurava ser boazinha, tentava fazer sacrifícios e rezava o que já sabia. Os sacrifícios a que me propunha eram pesados de tal maneira que ficava doente. Era frágil por natureza e não suportava por muito tempo as abstinências e jejuns que fazia. nas várias tentativas, todas elas sigilosas, acabava sempre por desistir dizendo com tristeza: Oh! Deus, eu bem quero ser santa, mas é tão difícil!!!! Desculpa, mas não sou capaz.
Apesar da minha "maldade" e " baixeza" traquina, Deus habitava no meu coração.
O dia que recordo ser o mais feliz, sim, o mais feliz da minha vida, foi, sem dúvida, o da Primeira Comunhão.
Rica e luxuosamente vestida e adornada, nem me sentia vaidosa, pois o meu coração batia velozmente de felicidade. Finalmente eu ia receber Jesus. Receber Jesus era algo inexplicável; era o melhor que havia. Ter Jesus no meu coração...Tinha que guardá-lo bem para não sair. Meus pais estavam, também muito emocionados e minha mãe me disse: «Filha, é o teu primeiro casamento»
Hoje digo: foi o único, porque o outro foi de mentira. Foi o único...O dia foi lindo para mim; o dia foi lindo para Jesus.

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